
O fim do jornal diário e em papel vem sendo anunciado nos Estados Unidos ao longo da década. Em 2004, o professor Philip Meyer previu que em 2043 ele morreria. Em 2006, a revista The Economist perguntou: quem matou o jornal? No ano seguinte, Arthur Sulzberger Jr., editor do New York Times, disse não saber se em cinco anos a publicação continuaria a ser impressa. No ano passado, foi a revista New Yorker quem proclamou que os jornais estão morrendo.
A informação em tempo real na rede mundial de computadores seria a responsável por essa extinção. O raciocínio é claro. É difícil crer que a geração da internet, tendo dispositivos portáteis que permitem acessar vídeos e textos em qualquer lugar, leia um jornal impresso.
No entanto, a realidade no Brasil e no mundo indica que há certa precipitação e exagero nessas profecias apocalípticas. Os jornais brasileiros encerraram 2008 com uma circulação 5% maior, passando de 4,14 para 4,35 milhões de exemplares pagos. O crescimento nas vendas em 2007 e 2006 já havia sido de 11,8% e 6,5%. E a média mundial também tem subido mesmo que com índices menores.
A partir desses resultados, nota-se que a questão mais atual a ser respondida diz respeito às razões que fazem o jornal manter sua força a despeito da lógica da era digital. Em termos tecnológicos, uma delas é antiguíssima: o papel. Hoje em dia é possível ir à beira da praia, deitar no sofá ou andar de ônibus acompanhando as notícias em um computador portátil. Porém, fora o desconforto visual proporcionado pela tela, ele não pode ser exposto à água ou areia. Quedas nem pensar. Ser dobrado a um tamanho adequado menos ainda. Assim, o papel continua sendo uma solução melhor. Em nível comercial, não há o que supere a sua praticidade. E seu valor econômico é ínfimo para o usuário. Por exemplo, a perda de um jornal nem se aproxima da preocupação de quem tem um celular roubado.
Outro aspecto que tem contribuído para o fortalecimento do veículo são as edições populares a um preço menor para o leitor. Além disso, como na frase atribuída a Keynes, no longo prazo todos estarão mortos. Logo, discutir circunstâncias de 2043 deveria ser menos importante do que a verificação das transformações que estão permitindo que a imprensa escrita seja uma opção contemporânea. No geral, os jornais diários ainda são portais de informação melhores e mais organizados dos que os da internet, tornando-se pontos de partida para aprofundamento na rede de computadores. Não há antagonismo, mas complementação.
É possível que um dia os jornais impressos sejam superados por algum avanço tecnológico, mas isso está mais longe do que se prevê. Por enquanto, como se costuma dizer sobre os reis, se o jornal está morto, longa vida ao jornal!
* Publicado no Agora de Rio Grande, 10 de fevereiro, na Gazeta do Sul e em O Informativo do Vale, 11 de fevereiro, em O Nacional, 13 de fevereiro, e no Diário de Canoas, 23 de fevereiro de 2009.

Nenhum comentário:
Postar um comentário