
Há o que se pode falar em público e o que só é aceito no convívio privado. Apesar da trivialidade disso, vez por outra alguns caem na armadilha. Nos últimos tempos, dois conhecidos presidentes entraram nessa cilada.
Obama se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos em exercício a aparecer num programa de entretenimento na televisão. Ele concedeu uma entrevista para o humorista Jay Leno – um Jô Soares de lá. Descontraído, Barack tentou fazer uma piada. Ele associou a sua inabilidade no boliche com os Jogos Paraolímpicos.
O gracejo virou a gafe mais comentada até agora do atual presidente norte-americano. Ele se viu obrigado a formalizar um pedido de desculpas para os portadores de necessidades especiais, além de precisar demonstrar que não tem preconceito em relação a deficientes. Aliás, Barack apelou para algo que não deixa de ser parecido, na forma, com o que alguns costumam fazer em relação a negros como ele.
De resto, piadas deveriam ser proibidas nas manifestações de qualquer presidente. Apesar de todos se acharem os “caras”, isso nunca dá certo. George W. Bush cometeu tantas gafes que, reunidas, elas foram suficientes para gerar livros, filmes e programas de tevê.
Já Lula, em seus mais de seis anos de mandato, soma um enorme anedotário. E não se diga que isso tem a ver com sua pouca escolaridade, pois nem Fernando Henrique Cardoso, com todos os seus títulos acadêmicos, escapou de um ou outro papelão. Porém, Luiz Inácio mantém outra mania: a do improviso inconveniente. Foi assim que ele acabou dizendo que a crise mundial era culpa dos loiros de olhos azuis. Nada diferente do escreveu Michael Moore em seu livro “Stupid White Men”, mas politicamente incorreto quando vindo de um presidente de uma nação multiétnica.
Evitar fiascos é uma lição a ser aprendida pelos detentores de mandatos públicos. Até porque sempre tem alguém que enxerga outras intenções. Alguns dizem que, quando as gafes acontecem, na verdade está se tentando chamar a atenção para algo ridículo, evitando que se trate de coisas piores. Quem opta pela comédia por vezes apenas está querendo esconder uma tragédia. Por isso, seja falando ou trabalhando, o que todo povo quer de um presidente é seriedade. E que deixe as piadas para o Jay e para o Jô, os “caras” certos para isso.
* Publicado na Gazeta do Sul, 14 de abril, no Diário de Canoas, 15 de abril, em A Notícia de Joinville, 26 de abril, e em O Informativo do Vale, 27 de abril de 2009.

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